Aquela sensação fresca de que o Verão acabou. Chove três dias e logo vem o sol novamente acompanhado daquela humidade que nos faz suar do bigode até aos pés. Afinal ainda não acabou, fez só um intervalo para nos baralhar e refrescar o corpo e a alma.
Noites quentes, na verdade, houve poucas, mas depois de uma semana de temperaturas acima dos 40 graus, que bem que sabe ver o Inverno à espreita.
Dá um olá mas não permaneças já. Ainda é demasiado cedo para ficares. Aproveitamos para poder antever o que nos espera e relembrar o que já foi. Corre uma brisa fresca que sabe tão bem. Sabem aquele cheiro a terra depois de chover? Aquela sensação de ar limpo que dá vontade de ficar dez minutos só a inspirar e expirar. Que nos acalma e nos leva a pensar que nada é permanente, muito menos o tempo. E quem não muda com ele? Eu “sinto-me” com este tempo rebelde que vem sem avisar. Gosto de não o conseguir adivinhar quando da cama me estou a levantar. Estará sol, estará chuva? Estará frio ou calor? Setembro é o mês que nos traz esta maravilhosa possibilidade de aproveitarmos todas as estações do ano. Experienciarmos e percebermos o que o tempo faz em nós, dia sim, dia sim. Sentirmos a beleza do passageiro que amanhã já se foi e simultaneamente o desejo de aproveitar cada dia como se fosse o último. A riqueza da chuva que oferece de forma gratuita vida às plantas e árvores que nos rodeiam, a frescura do ar que respiramos e a paz que nos traz por termos a possibilidade de a ouvir abrigados nas nossas casas. A incógnita de um nevoeiro que nos deixa cegos e nos vai oferecendo a paisagem ao ritmo que só ele decide qual ser. A luz de um sol radiante que nos alegra o espirito e nos completa o vazio de um dia chato de trabalho com lembranças da leveza de umas férias de Verão. O fresco (não podemos chamar frio) que nos obriga a matar saudades daquela camisola e das meias e que conduz imediatamente a nossa mente para aquele dia de inverno com um olho na lareira e o outro na série da Netflix. Mas afinal nesse mesmo dia ainda nos sentamos na varanda de calções a olhar as estrelas, porque na verdade ainda estamos em Setembro. Setembro, para muitos é o mês do começo do novo ano. Da colheita do que queremos guardar e não queremos deixar que o vento do Outono leve. Não é ao acaso que o deus Romano Septimius era o deus da agricultura e da colheita. Setembro é o sétimo mês do Outono no hemisfério norte e o sétimo mês da primavera no hemisfério sul. É em Setembro que acontece o equinócio de Outono, que significa igualdade entre o dia e a noite, ou seja ambos duram 12h. Este dia é chamado de equilux. Setembro traz-nos esta magia de colher o que sentirmos ter que guardar e o necessário que não queremos deixar o Outono levar. Ao mesmo tempo dá-nos a liberdade de largarmos o que sentimos que já não nos pertence, que voluntariamente deixamos para quando o Outono chegar. Escolhe Setembro para preparar o que queres que o Outono leve e guarda o melhor e o que queres que permaneça para te aquecer nos dias de Inverno.

