A vida é bela…mas há marcas que ficam e ficam para sempre. Quem ama sofre, quem sofre sente e quem não sofre não é filho de boa gente.
E sofrer não é bom, ou poderá ser, quem irá saber…ensina-nos pelo menos a perceber o que não queremos ser novamente.
A vida era bela antes de a viver. Entretanto vivemos, e viver, como alguém diz, é uma arte. Não é para toda a gente. “Tem que se saber/aprender”. Mas para aprender é preciso viver, sentir.
Já vivi, já senti, já sei alguma (ou muita) coisa que quem não viveu, infelizmente, não consegue perceber. E é isto que nos acrescenta valor, é isto que nos distingue. É viver. Melhor dizendo, estar predisposto a viver. Na realidade não é muita gente. É preciso estar disposto a extremos. Estar preparado sem medos. Sem olhar para trás. Ter atitude, ser fugaz. Determinado, não só com a palavra mas também com o coração. Sentir tesão ou tensão. Estar desconfortável, por vezes sem razão, só com a emoção. Ser só.
E quem para tal não está disposto, é melhor viver o Agosto como se não houvesse amanhã. O verão serve para isso. Espairecer e esquecer mesmo sem querer. Mas querer ser. E terá mesmo que ser.
A vida mostra-nos a possibilidades mas somos nós que decidimos o caminho que queremos levar. O primeiro passo é só e só estarmos bem connosco. Ter a liberdade de sabermos estar sós. De sermos nós. De pegarmos no leme contra ventos e tempestades que por ventura ou por sorte virão. De gostarmos de nós e com mais nada. Só nós.
O que vem, virá, será. E se tiver que ser, será mesmo até morrer. Sem expectativas e vaidades. Sem amor e crueldades. Sem passado ou futuro. Sentir o presente, contente por estarmos cá. Conseguir acordar com um sorriso, há coisa melhor, eu não imagino. Muito menos concebo. Sem medo, afirmo que esse deverá ser o nosso primeiro desejo de ser. Acordar. Só acordar. E se podermos olhar, que vejamos de verdade.
Que a gente não perca a ousadia de pelo menos e somente, tentarmos ser felizes cada dia que vivemos.
Estas sim são as “verdadeiras” marcas que deixamos. A nossa vontade de acordar.
Parece fácil…falar.
