Voltamos à era dos descobrimentos mas hoje a terra e o ouro são papel. Vende-se papel em troca de milhões.
Já ninguém tem palavra e por isso calam-se enquanto o povo vai discutindo o que os jornalistas vão contando. Os enfatados engravatados vão gastando calados os milhões roubados a quem não tem. Pagam a liberdade com as moedas de muita gente que as conta mês a mês, ano a ano. Gente que não aparece e que por isso se esquece. Os srs do capitalismo ricos à nascença não sabem quanto capital é necessário investir na vida para viver dignamente e ter um retorno que sustente essa dignidade até ao último dia das nossas vidas. É triste e revoltante ser normal num país como Portugal. Mais revoltante ainda é não ter paciência nem predisposição hipócrita para gerir as pessoas, os amigos e a família de um forma estratégica orientada para o resultado e riqueza individual.
Mais revoltante ainda é querer acreditar no que acreditei até hoje e sentir-me menos inteligente por isso.
Realmente revoltante é ligar à minha avó e perceber que por ter pago €500 por uns óculos novos ( que precisava) não vai passar as habituais e únicas ferias de uma semana ao Algarve e logo de seguida ligar a TV e vislumbrar a mansão do Sr Salgado e os seus dois escritórios no hotel do estoril e ainda a caução miserável que o Sr tem que pagar pela sua liberdade. Um pessoa que tira a liberdade aos outros não tem direito a pagar pela sua.
Afinal ainda somos livres mas a liberdade sai cara!

