Como falam bem os portugueses, o português. Mentira! Não falam, nem escrevem.
Nunca tive problemas de audição felizmente, mas às vezes sinto um agudo tão grande que penso em consultar o médico. Mas de nada me vai adiantar. Acho que vou sentir isto até ao fim da minha vida e sempre e quando que escutar “mau português”.
Não sei se é portunhol, se é pretoguês ou broncoguês. Neste caso, desconfio que seja portunês ou potuglês. Um sotaque que vem de longe e que tem origem no cantonês.
Não é uma loja nem um restaurante buffet, nem tão pouco tem um gatinho vermelho a pilhas a dar a braço.
É um restaurante em plena freguesia de avenidas novas em Lisboa, tipicamente português, onde a hortaliça não vem da horta mas sim da/o orto, que segundo o dicionário “Exprime a noção de correcção ou rectidão (ex.: ortopedia)”. De correcto aqui há muito pouco. Lá os espinafres serem espinafes ainda é como o outro. O frango ser flango também já estamos habituados. O ç ser um s, há por aí muito boa gente que também o faz. No limite, ignorar o H e deixar a “orta”, facilmente se argumentava com o novo acordo ortográfico. Agora chamar a algo que se come cru e vem da Horta…”orto”, é que só pode vir mesmo de quem, até a falar, se engana.
É que é só escrever como se diz e colocar o H antes.
Parece fácil não é? Fácil é falar.
Não. Também parece que não. Quando alguém na casa dos 30, residente na cidade, com uma conversa, vá…razoável, diz de cabeça erguida, sem parar para respirar, “troce”, é porque a coisa vai mesmo mal e ainda pior do que se pensava.
E este português não me parecia ter origem no cantonês. Pelo menos o emissor tinha mais parecenças com um dos nossos, morena, alta e sem olhos em bico.
Mas hoje há com cada aberração, que eu cá, já não digo nada.
“Á-des de vê-los por aí a amandar calinadas, prontos, a falar um português estranho. E se os vires da-les um abraço meu”


Eu confirmo esta ementa!
Adorei o post, mas não me posso rir porque me faz doer a barriga…
Continua com a observação